Domingo

Com o Poder: A república sindicalista instalada na Petrobras.

Foto: Wilson Santarosa, gerente de Comunicação Institucional da Petrobras (ligado ao escândalo dos "aloprados"), ao lado do presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli, no lançamento do Programa Cultural da Petrobras 2009

Pelo menos 22 ex-sindicalistas ocupam postos estratégicos em gerências da Petrobras, da Transpetro e da Petros, o fundo de pensão da estatal, informam
Chico Otavio e Tatiana Farah na edição deste domingo em O GLOBO. Desses, 14 são ligados ao PT - como ex-candidatos, ex-parlamentares, colaboradores de governo, doadores de campanha - e um ao PCdoB. Três processaram a Petrobras e a Agência Nacional do Petróleo (ANP), e um acompanhou o MST na invasão à sede da ANP. Hoje comandam a distribuição de verbas da estatal, girando uma máquina que financia projetos em 938 prefeituras.

http://oglobo.globo.com/pais/mat/2009/07/04/a-republica-sindicalista-instalada-na-petrobras-pelo-menos-22-ex-ativistas-ocupam-hoje-postos-estrategicos-na-estatal-756658477.asp

Segunda-feira

Remuneração de diretores da Petrobras tem reajuste médio de 90% entre 2003 e 2007

Amaury Ribeiro Jr

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva transformou os diretores da Petrobras em verdadeiros xeiques. Segundo documentos internos da estatal, os vencimentos dos executivos da empresa, nomeados para os cargos por indicação política, tiveram um aumento médio de 90% entre 2003 e 2007. Nesse período, a inflação acumulada foi de 28,16%, segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Os papéis encaminhados pela empresa ao Ministério da Previdência e à Receita Federal mostram que os vencimentos — salários mais bônus — de cada um dos diretores fecharam 2007 em torno de R$ 710 mil, o que deu uma média mensal salarial de R$ 60 mil. Esse valor é bem maior que o dos salários dos ministros do Supremo Tribunal Federal (SRF), fixado como teto salarial do funcionalismo público pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

A papelada, obtida com exclusividade pelo Correio/Estado de Minas, mostra, por exemplo, que os vencimentos do diretor de Operações e Exploração da empresa estatal, Guilherme de Oliveira Estrella, saltaram de R$ 368.711,36 em 2003, para R$ 701.764,79 em 2007. Funcionário de carreira, Estrella conseguiu também engordar a aposentadoria nesse período. No ano passado, o diretor recebeu R$ 153.361,83 da Petrus — o fundo de pensão dos funcionários da estatal. Esse valor é muito superior aos R$ 92.038,92 que ele recebeu da mesma fonte em 2003. Basta uma conta simples de somar para chegar à conclusão de que Estrella recebeu da Petrobras e da Petrus R$ 858.597,29. Ele embolsou ainda um 13º salário de R$ 84.648,24. Petista de carteirinha, Estrella soube compensar o partido, que, em 2003, o nomeou para o cargo de diretor. Em 2007, ele fez uma doação de R$ 25.200 para os cofres do PT... continua AQUI


Patrimônio de alguns diretores da Petrobras praticamente duplicou nos últimos 5 anos


Apartamentos no Alto Leblon, região nobre da Zona Sul do Rio de Janeiro, joias raras, obras de arte, e reserva de dólares americanos e carros importados passaram a fazer parte do patrimônio dos diretores da Petrobras. Documentos obtidos pelo Correio/Estado de Minas mostram que o patrimônio de alguns diretores praticamente duplicou nos últimos cinco anos. O valor total dos bens do diretor de Serviços, Renato de Souza Duque, saltou, por exemplo, de R$ 700 mil para 1,5 milhão, nesse período.

O diretor investiu grande parte de seus vencimentos na construção de uma casa em Penedo, distrito de Itatiaia, no interior do Rio de Janeiro. De acordo com corretores da região, o imóvel, adquirido em 2007, está avaliado em R$ 500 mil. Nesse mesmo ano, ele comprou um apartamento de três quartos na Avenida Canal de Marapendi, em Jacarepaguá, avaliado em R$ 350 mil. Duque possui ainda outros dois imóveis na cidade. Um deles registrado em nome de um de seus dependentes. Além disso, o diretor investiu recentemente R$ 100 mil em joias, obras de arte e dólares norte-americanos.

Os altos salários também mudaram a vida do diretor de Operações e Exploração(1) da Petrobras, Guilherme Estrella, que teve uma evolução patrimonial ainda maior. O patrimônio de Estrella saltou de R$ 180 mil para quase R$ 1 milhão nos últimos seis anos. O diretor, que se mudou recentemente para o Leblon, investiu quase R$ 300 mil numa casa no município de Nova Friburgo. Além disso, Estrella comprou um carro Mercedes Bens e investiu R$ 500 mi no mercado financeiro. Matéria completa AQUI

Quarta-feira

Fique por por dentro da 'Pêtêobras'


"Criação da CPI do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte) "enterra" a comissão da Petrobras" - 25/06/2009
"Aderbal Freire-Filho leva aos palcos adaptação de "Moby Dick" - 25/06/2009
"Procurador pede quebra de sigilo telefônico de gerente executivo da Petrobras" - 24/06/2009
"Ex-segurança de Lula atua na Petrobras por movimentos sociais" - 23/06/2009
"Petrobras tira gerente que gastou R$ 151 milhões" - 22/06/2009
"Lula atua para reconstruir PT pré-mensalão" - 21/06/2009
"Salafrários' querem CPI da Petrobras, diz Berzoini" - 20/06/2009
"Moody's rebaixa Petrobrás e alega influência estatal"- 19/06/2009
"Collor busca alianças para se tornar relator da CPI da Petrobras" - 19/06/2009
Cerca de 150 pessoas fazem ato contra CPI da Petrobras em SP - 19/06/2009
"CUT protesta em São Paulo contra CPI da Petrobras" - 19/06/2009
"Agência Moody's rebaixa "nota" da Petrobras por "risco político" - 18/06/2009
"Oposição vai barrar LDO se governo descumprir acordo de instalação da CPI da Petrobras" - 17/06/2009

"Protelar CPI da Petrobras é risco em ano eleitoral para o governo" - 17/06/2009
"Governistas e oposição fecham acordo para instalar CPI da Petrobras no dia 30" - 17/06/2009
"Governistas usam afastamento de Heráclito para adiar instalação da CPI da Petrobras" - 16/06/2009
"Governistas vão continuar obstruindo CPI da Petrobras, diz Mercadante" - 15/06/2009
"Líderes da base trabalham para adiar CPI para depois do recesso junino" - 15/06/2009
"Petrobras paga R$ 4 milhões a produtoras ligadas ao PT" - 14/06/2009
"Petrobras gastará R$ 540 mil com assessoria em CPI" - 13/06/2009
"Ministério atrasa resposta a deputados sobre a Petrobras" - 13/06/2009
"Standard & Poor's reduz nota da Petrobras, mas mantém grau de investimento" - 10/06/2009
"Petrobras recua e decide publicar solicitações da imprensa em blog após meia-noite" - 10/06/2009
"Lula cancela agenda para discutir com líderes governistas temas do Congresso (CPI da Petrobras e CPI das Ongs)" - 10/06/2009
"Manobra da base aliada impede instalação da CPI da Petrobras por falta de quorum" - 10/06/2009
"Líder do governo diz que base não comparecerá à instalação da CPI da Petrobras" - 10/06/2009
"Governistas aconselham presidente da Petrobras a evitar confronto com imprensa" -10/06/2009
"Sem acordo, CPI da Petrobras é comissão natimorta", diz Mercadante" - 10/06/2009

"Petrobras utiliza carta de 2008 para defender obra" - 10/06/2009
"Parlamentares da base aliada planejam esvaziar sessão de instalação de CPI" - 10/06/2009
"Governistas vão emendar feriado com festa junina para esvaziar CPI da Petrobras" - 09/06/2009
"Impasse na CPI das ONGs deve adiar instalação da CPI da Petrobras no Senado" - 09/06/2009
"Governistas boicotam CPI das ONGs contra permanência de tucano em relatoria" - 09/06/2009

"Petrobras omite dados antigos na internet" - 09/06/2009
'PETROBRAS, TEORIA CONSPIRATÓRIA E CASSANDRA' - 09/06/2009
"Gabrielli nega que blog da Petrobras tente intimidar a imprensa" - 08/06/2009
"Gabrielli admite possibilidade de irregularidades em contratos da Petrobras" - 08/06/2009
"Gabrielli diz que Petrobras está preparada para responder questões pontuais da CPI "- 08/06/2009
"Oposição diz que entrada de Lula na negociação de cargos da CPI é humilhação ao Congresso" - 08/06/2009
"Lula vai interferir em impasse entre PT e PMDB para definir comando da CPI da Petrobras" - 08/06/2009
"Novo relator da CPI das ONGs quer quebrar sigilo de entidades ligadas ao PT e ao MST" - 08/06/2009
"PT faz ato pró-Petrobras e contra os "oportunistas" - 08/06/2009
"Presidente da BR é indicado para a presidência do PT" - 07/06/2009
"Petrobras gasta R$ 180 mi com advogados" - 07/06/2009
"CPI e pré-sal fazem de Petrobras pivô de lobbies no Congresso" - 07/06/2009
"Petrobras usa blog para vazar reportagens" - 06/06/2009
"Petrobras contrata ONG por R$ 16,1 mi" - 06/06/2009
"Bancada do PT programa protesto contra CPI da Petrobras na Assembleia de SP" - 05/06/2009
"Lula deve interferir em impasse entre Mercadante e Renan na CPI da Petrobras" - 05/06/2009
"Oposição quer usar CPI para investigar origem do dinheiro dos "aloprados" de 2006 "- 05/06/2009
"Para rebater acusações contra CPI, tucano quer proibir em lei a privatização da Petrobras" - 04/06/2009
"Múcio nega que veto de Renan a Jucá atrapalhe definição do comando da CPI da Petrobras" - 04/06/2009
"Por CPI, oposição ameaça levar "obstrução" à Câmara" - 04/06/2009
"Senadores da base de Lula conseguem adiar para semana que vem instalação da CPI da Petrobras" - 03/06/2009
"Oposição procura titulares de CPI para garantir quorum e evitar novo adiamento" - 03/06/2009
"Partidos da base de Lula articulam para adiar novamente instalação da CPI da Petrobras" - 03/06/2009
"Impasse na CPI da Petrobras expõe crise de confiança entre PT e PMDB" - 03/06/2009
Governo pede a Renan que levante veto a Jucá na CPI da Petrobras - 03/06/2009
Base aliada de Lula adia instalação da CPI da Petrobras para quinta-feira por falta de consenso - 02/06/2009
"Base governista manobra e consegue adiar instalação da CPI da Petrobras" - 02/06/2009
"PT e PMDB divergem sobre comando de CPI da Petrobras e Planalto intervém" - 02/06/2009
"Petrobras nega que vá anunciar duas reservas de gás e óleo para acuar oposição na CPI" - 02/06/2009
"CPI pode causar "paralisia" na Petrobras, diz Gabrielli" - 02/06/2009
"PT e PMDB se desentendem sobre comando da CPI e abrem espaço para oposição" - 01/06/2009
"CPI da Petrobras deve ser instalada amanhã com indicação de presidente e relator"- 01/06/2009
"Governo usa nova reserva de gás e óleo contra CPI da Petrobras" - 01/06/2009
"Gabrielli afirma que CPI da Petrobras não tem foco" - 30/05/2009
"Oposição usa CPI das ONGs como arma contra governo em investigação da Petrobras" - 29/05/2009
"Leia íntegra do bate-papo com Valdo Cruz sobre a CPI da Petrobras" - 28/05/2009
"Sistema Petrobras privilegia PT em doações a candidatos" - 28/05/2009
"Oposição quer investigar contratos da Petrobras com cooperativas de táxi" - 28/05/2009
"Valdo Cruz fala nesta quinta-feira sobre a CPI da Petrobras" - 28/05/2009
"PSDB fará uma "investigação paralela" para apurar denúncias contra a Petrobras" - 27/05/2009
"Jucá diz que aceita relatoria da CPI da Petrobras e que será imparcial" - 27/05/2009
"Diretor da Petrobras descarta ser tirado do cargo por pressão do PMDB" - 27/05/2009
"Presidente do Sindicato da Indústria Naval critica CPI da Petrobras" - 27/05/2009
"Jucá deve ficar com relatoria da CPI da Petrobras, Ideli é cotada para a presidência" - 27/05/2009
"O governo antecipou 2010 na CPI", afirma Agripino" - 27/05/2009
"Gabrielli nega que Petrobras tenha se tornado petista" - 27/05/200
"Mercadante indica nomes de confiança para cadeiras da base governista na CPI da Petrobras" - 26/05/2009
"PTB formaliza indicação de Collor para a CPI da Petrobras; PDT nomeia Jefferson Praia" - 26/05/2009
"Em tom de brincadeira, Lula diz a Chávez que vai presidir Petrobras se eleger Dilma" - 26/05/2009
"Base aliada desafia oposição e articula ficar com presidência e relatoria da CPI da Petrobras" - 26/05/2009
"Peemedebistas querem PT fora do comando da CPI da Petrobras" - 25/05/2009
"Descontente, oposição obstrui votação" - 26/05/2009
"PSDB consulta a CCJ do Senado para ampliar a participação da oposição na CPI" - 25/05/2009
"Após falar com Lula, Renan "rifa" a oposição na CPI da Petrobras" - 26/05/2009
"Sarney diz que vai nomear integrantes de CPI se líderes não indicarem os senadores" - 25/05/2009
"Aliados de Lula vão usar regimento para atrasar o começo da CPI da Petrobras do Senado" - 25/05/2009
"Oposição diz que não aceita deixar comando da CPI da Petrobras com aliados do governo" - 25/05/2009
"Lula está preocupado com as consequências da CPI da Petrobras, diz Múcio" - 25/05/2009
"Temer nega uso de CPI da Petrobras para barganha com PT" - 25/05/2009
"Renan e Lula se reúnem para traçar estratégia e compor CPI da Petrobras" - 25/05/2009
"Para Lula, pressão do PMDB por cargos "é chantagem" - 25/05/2009
"Entidades contra CPI recebem de estatal" - 24/05/2009
"Petrobras: é ela que manda no Brasil, não o contrário" 24/05/2009
"PMDB propõe ajudar governo em CPI em troca de aliança eleitoral" - 23/05/2009
"Senador tucano rebate Dilma e acusa PT de aparelhar Petrobras com "candidatos derrotados" - 22/05/2009
"Dilma diz que Petrobras foi caixa preta no tempo de FHC" - 22/05/2009
"Dilma nega pressão do PMDB por diretoria da Petrobras e critica CPI" - 22/05/2009
"Empresa que presenteou ex-secretário do PT com Land Rover teve mais 19 contratos com a Petrobras"
"Lula se irrita com perguntas sobre CPI da Petrobras" - 22/05/2009
"Estratégia de governistas para minar CPI da Petrobras prevê ataque à oposição nos Estados" - 22/05/2009
"Collor diz que não fará parte de tropa de choque na CPI da Petrobras" - 21/05/2009
"Sarney rejeita pedido da oposição para mais uma vaga na CPI da Petrobras"- 21/05/2009
"Entidades usam protesto contra CPI da Petrobras para criticar Serra e FHC" - 21/05/2009
"TCU vê indício de fraude de R$ 230 mi na Petrobras" - 21/05/2009
"Empresa acusada de fraude tem contratos com Petrobras" - 21/05/2009
"Jucá diz que base aliada enfrenta problema para indicar integrantes da CPI da Petrobras" - 20/05/2009
"Presidente da Petrobras diz que questões serão respondidas à CPI" - 20/05/2009
"Álvaro Dias diz que Petrobras tem gestão "temerária e claudicante" - 20/05/2009
"Petrobras gastou R$ 47 bi sem licitação em seis anos" - 20/05/2009
"Investigar fraude em licitação da Petrobras é competência do Ministério Público, diz STF" - 19/05/2009
"PT enterra proposta de CPI mista da Petrobras e quer mobilizar público contra investigação" - 19/05/2009
"Líder do governo ataca oposição e diz que Planalto não teme CPI da Petrobras" - 19/05/2009
"Para combater CPI da Petrobras, governo recorre a terrorismo retórico" - 19/05/2009
"Contra CPI, governistas ameaçam oposição com plebiscito do 3º mandato" - 19/05/2009
"Petrobras rebate TCU ao dizer que não lesou cofres públicos ao recolher tributos" - 18/05/2009
"Álvaro Dias desdenha Gabrielli e diz que vai lutar contra "pressão do governo" na CPI da Petrobras "-18/052009
"Cabral admite retaliação do PMDB e afirma que CPI da Petrobras é desnecessária" - 18/05/2009
"Mantega diz que CPI da Petrobras é desnecessária e pode comprometer estatal" - 18/05/2009
"Movimentação de aliados para criar nova CPI da Petrobras desagrada comando do PT" - 18/05/2009
"Base aliada de Lula vai ficar com maioria das vagas da CPI da Petrobras no Senado" - 18/05/2009
"Paulo Bernardo diz que PSDB quer desmoralizar Petrobras para privatizá-la depois" - 18/05/2009
"Governo ainda tenta negociar saída com oposição para evitar a CPI da Petrobras" - 18/05/2009
"Veja lista dos 32 senadores que assinaram o requerimento da CPI da Petrobras" - 18/05/2009
"PT planeja criar CPI da Petrobras na Câmara para enfraquecer a do Senado" - 18/05/2009
"CPI pode servir para desviar foco sobre o Senado, diz Lula"- 18/05/2009
"Lula critica senadores que assinaram CPI da Petrobras" - 17/05/2009
"Governo fracassa em barrar CPI da Petrobras; base e oposição agora brigam por cargos" - 16/05/2009
"CPI torna o Planalto ainda mais dependente do PMDB" - 16/05/2009
"Aliado do governo, PMDB não se esforça para barrar CPI" - 16/05/2009
"Ação de Lula não evita criação da CPI da Petrobras" - 16/05/2009
"Senador Adelmir Santana retira assinatura do requerimento de criação da CPI da Petrobras" - 16/05/2009
"Veja lista dos senadores que mantiveram seus nomes no requerimento da CPI da Petrobras" - 16/05/2009
"Planalto e oposição trocam acusações sobre CPI; base tenta derrubar investigação" - 15/05/2009

Terça-feira

Executivo da Petrobrás fica na mira da oposição

Executivo da Petrobrás fica na mira da oposição Responsável pelos patrocínios da Petrobras, o petista Wilson Santarosa, gerente-executivo de Comunicação Institucional da empresa, transforma-se no alvo principal dos adversários do Planalto

À cata de denúncias para impulsionar a CPI da Petrobras, a oposição escolheu um personagem-símbolo para começar a abrir o que considera a caixa-preta da estatal: a área comandada por Wilson Santarosa. Petroleiro desde 1975, Santarosa é um petista histórico que, desde o início do governo Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003, ganhou o cargo de gerente-executivo de Comunicação Institucional. O homem responsável por cuidar de um orçamento estimado em R$ 1 bilhão em patrocínios, comunicação, repasses a organizações não governamentais e incentivos culturais virou a bola da vez da investigação que os adversários do Planalto querem imprimir.

O pedido de criação da CPI foca em dois principais pilares. De um lado, os contratos bilionários com fornecedores da estatal, inclusive no exterior. De outro, os gastos com comunicação e cultura. A oposição avalia que mirar nos negócios sob a influência de Santarosa será mais cômodo e produzirá resultado mais imediato, frente à complexidade dos megacontratos da empresa, regidos por legislação especial. Com essa estratégia, evitam ainda, em ano pré-eleitoral, remexer na principal fonte de recursos de campanha: as grandes empresas do país. Matéria completa aqui

Sábado

A escala lulista de valores

Editorial Estadão

Ele se disse preocupado com as denúncias, porque "depois não acontece nada". Não venha o presidente do mensalão ofender a sensibilidade dos brasileiros ao sugerir que, em razão da impunidade - assunto sobre o qual ele pode falar de boca cheia -, melhor faria a mídia se o imitasse, compactuando, nesse caso pelo silêncio, com os abusos dos poderosos.

O presidente Lula é um político que não tem princípios. Tem fins. Dele só se poderia esperar, portanto, que saísse em defesa do presidente do Senado, José Sarney, engolfado pela onda de escândalos na instituição que comanda pela terceira vez. É notório que Lula deve a alma, como se diz, a Sarney, seu aliado firme desde a campanha de 2002, e conta com ele e a sua patota para adquirir em 2010 a adesão do PMDB à candidatura da ministra Dilma Rousseff - a "sacerdotisa do serviço público", como o senador a endeusou em um comício. Além disso, desde que alcançou o Planalto, Lula tem demonstrado uma coerência impecável: sempre que se viu obrigado a escolher entre a ética e a conveniência, jamais desapontou os que apostavam que ficaria com esta em detrimento daquela. Ainda há pouco, quando rebentou na Câmara a história da farra das passagens aéreas, Lula deu de ombros. "Sempre foi assim", desdenhou, como que repetindo o comentário, no auge da crise do mensalão, em 2005, de que o caixa 2 é "usado sistematicamente" por todos os partidos.

Mesmo que novamente ele tenha confirmado o retrospecto, suas palavras chamam a atenção por desnudar uma vocação insanável para a desmoralização das instituições. Se as posições do presidente não surpreendem, os termos que lhe ocorrem para manifestá-las retratam uma mentalidade à qual pode se aplicar, no sentido mais raso, o que já considerou "a evolução da espécie humana" (para justificar a teoria de que, com a idade, os esquerdistas migram para o centro). Na política, ele não perde para ninguém em matéria de capacidade adaptativa. Vinte anos atrás, quando fazia questão de se exibir como o demolidor de "tudo isso que está aí", dizia que Sarney era "grileiro" e "grande ladrão". Hoje, quando inebriado pelas delícias do poder só pensa em desfrutá-las pelo maior tempo possível, ensina que "Sarney tem história suficiente para que não seja tratado como se fosse uma pessoa comum". Pelo visto, na atual escala lulista de valores, as pessoas incomuns devem desfrutar de um salvo-conduto que lhes permita afrontar, se não a lei, o decoro pelo qual, dada a sua condição, deveriam ser as primeiras a zelar.

O presidente fez coro com o senador bom companheiro que foi à tribuna invocar a "correção de uma vida austera, de família bem composta" como uma espécie de manto protetor contra críticas e notícias constrangedoras - como o recebimento indevido, meses a fio, de R$ 3.800,00 de auxílio-moradia (o que primeiro negou e depois disse desconhecer) ou o fato de ter sete parentes e dois afilhados políticos incluídos por baixo dos panos na folha de pagamento do Senado. Lula também ecoou a versão sarneyana de que é vítima de "setores radicais da mídia" e outros supostos interessados em enfraquecer o Legislativo, ao desqualificar como "denuncismo" a exposição objetiva de indecências que os políticos e seus parceiros na alta burocracia do Congresso escondiam nos porões. O caso escabroso dos atos administrativos secretos, já na casa dos 650, por exemplo, foi revelado por dois repórteres deste jornal que tiveram acesso às descobertas de uma comissão de sindicância do próprio Senado.

Impermeável à realidade e com a sua famosa quase-lógica, Lula perguntou retoricamente "o que ganharia o Senado em ter uma contratação secreta, se tem mais de 5 mil funcionários transitando por aqueles corredores". Talvez ele devesse procurar a resposta com o notório Agaciel Maia, que recentemente teve de se demitir da direção-geral da Casa para a qual foi nomeado por Sarney há 14 anos. Lula atacou a imprensa por "todo dia arrumar uma vírgula a mais" no noticiário da esbórnia. Para ele, com o seu amoralismo, pode parecer uma vírgula. Para a opinião pública, é um ponto de exclamação. Ressalte-se que nada do que se veiculou sobre as mazelas das Casas do Congresso foi desmentido, o que torna dispensável a advertência do presidente sobre o risco de a imprensa ser "desacreditada". Ele se disse preocupado com as denúncias, porque "depois não acontece nada". Não venha o presidente do mensalão ofender a sensibilidade dos brasileiros ao sugerir que, em razão da impunidade - assunto sobre o qual ele pode falar de boca cheia -, melhor faria a mídia se o imitasse, compactuando, nesse caso pelo silêncio, com os abusos dos poderosos.

Quarta-feira

Especialista em Ética!?

Por Heitor De Paola

Heitor de Paola analisa entrevista concedida pelo "especialista em ética" Roberto Romano ao jornal O Globo, e identifica o perfil preciso do "intelectual orgânico" preconizado por Antonio Gramsci, comprometido com o projeto de poder do "intelectual coletivo", e não com a verdade dos fatos.

Se esta prosa surgisse numa roda de chimarrão, em volta do fogo do galpão da estância:

- Mas bah, tchê, êta indiada esperta, deve ser cousa de castelhano pro piá arrumar emprego e não trabalhar, barbaridade!

- Não é não, índio véio, eu li naquele jornal lá dos carioca que o patrão compra: O Globo! O guri é isto mesmo, especialista em ética. Chique demás!

- Só pode ser cousa do chifrudo! Cousa boa não é! Quem ensina estas cousa é pai e mãe e o patrão velho lá de riba.

- Bueno, tá aqui, dá uma espiada.

O bagual pega a edição de dia 10/06/2009 e lá na página 4 lê que o tal Roberto Romano é isto mesmo.

- Ah, Romano, já entendi, é coisa dos italiano lá de Bento! Só podia ser cousa de estrangeiro inventar estas moda.

Pois nosso peão pode não saber, mas não é coisa dos italiano de Bento, é coisa bem pior: um intelectual da UNICAMP - o que não exclui a intervenção do chifrudo, antes a confirma, é claro. Trata-se de um Professor de Filosofia e Ética, chiquérrimo! Seria muito difícil explicar para o peão que é cousa de italiano sim, mas não de Bento, que é tudo gente trabalhadeira, mas, das bandas da Sardenha, um tal de Antonio, que inventou uns causos esquisitos para os tais intelectuais especialistas.

Nesta entrevista o tal Romano deita falação e normas supostamente éticas para os jornalistas. A matéria é sobre o malfadado blog da Petrossauro, no qual a estatal pegajosa passou a expor todas as entrevistas sobre suas atividades, desmascarando as editorias que cortam, pinçam frases soltas, juntam de forma diferente para comunicar outra coisa que não a original, etc. Longe de mim defender este mamute estatal que deveria ser pulverizado e desestatizado em pequenas porções, vendido para empresas de verdade que nos forneçam gasolina de primeira a preços razoáveis, e não esta porcaria de baixa octanagem a preços absurdos, enquanto manda fortunas para o MST, CUT e outras ONGS apaniguadas. Não obstante, neste assunto o mamute tem toda razão, que o diga quem teve a má sorte de dar entrevistas à imprensa sem exigir a publicação das perguntas e respostas na íntegra. Em agosto passado fui entrevistado pela Revista Isto É e como as respostas foram o oposto do que o comando totalitário esquerdista quer nada saiu. Mas há tempos eu me antecipei e só respondo por escrito me reservando o copyright e o direito de publicar em qualquer lugar, à minha escolha. (ver a entrevista em http://www.heitordepaola.com/publicacoes_materia.asp?id_artigo=236).

Pois o tal especialista em ética é um dos produtos mais bem acabados de intelectual orgânico, a invenção do indigitado Antonio, o Sardo, mais conhecido como Gramsci. Vamos à entrevista.

Já no início ele dá a orientação que o entrevistador amestrado deveria seguir, numa clara expressão do totalitarismo midiático. Perguntado o que achava da polêmica sobre o blog, respondeu: "Não existe polêmica" e assim dita a regra: não pode haver opinião contrária à dos "especialistas", no mais puro estilo Al Gore encerrando o debate sobre o "aquecimento global". Como o blog é utilizado para divulgar as perguntas e respostas dadas aos jornalistas antes da publicação, diz: "... é um instrumento de ataque (...) é absolutamente antiético, ilegal e insuportável (meus grifos) que uma empresa mantida pelo dinheiro público utilize um instrumento para pressionar o Poder Legislativo e a imprensa". Vejam só o totalitarismo em marcha: o sujeito determina o que é ético, afirma ser ilegal sem mostrar a lei que a impede e, sobretudo, pontifica: é insuportável!

Será mesmo um instrumento de ataque, ou de defesa do mamute ferido pelas lanças ferinas da imprensa e das CPIs, cujo funcionamento corrupto é sobejamente conhecido? Uma pergunta se impõe aqui: por que a esquerda ataca a empresa que sempre defendeu - junto com a direita retrógrada que abomina o liberalismo econômico? Para os que não sabem, a Petrossauro foi criada por lei de Vargas como empresa estatal não monopolista para não permitir a exploração sem controle pelas estrangeiras, nos moldes da ENI (Ente Nazzionale Idrocarburi) italiana. Quem introduziu a emenda do monopólio foi a UDN, partido supostamente à direita e liberal. E quem tinha todas as condições de privatizá-la, o "liberal" Roberto Campos, não o fez e passou o resto da vida falando mal dos sucessores exatamente por não terem feito o que ele não fez. Qual o interesse das esquerdas em fazer definhar o traste que sempre defenderam? Como diria o nosso peão, boa cousa não é, é cousa do demo!

Podemos especular que os interesses do neo-comunismo gramsciano em aliança com os metacapitalistas (ver em http://www.olavodecarvalho.org/semana/051010dc.htm), tendo superado as esquerdas e as direitas tradicionais para estruturar a Nova Ordem Mundial, esteja interessadas numa privatização em bloco no estilo da privataria (apud Gaspari) tucana, aliás os mais interessados na tal CPI. Não é à toa que FHC é o maior representante da globalização no Brasil. A tensão (oposição coisa nenhuma!) entre PT e PSDB é porque o primeiro ainda mantém um resquício da esquerda nacionalista e o segundo está totalmente dedicado aos projetos de George Soros, do Diálogo Interamericano, da ONU e do shadow party http://www.heitordepaola.com/publicacoes_materia.asp?id_artigo=902).

Voltando à entrevista. A pergunta e a resposta finais devem ser transcritas integralmente, pois devem ter feito Gramsci sorrir no túmulo. (Entre parêntesis minhas observações).

Pergunta: Os jornalistas têm de publicar todas as informações prestadas pela fonte?

Resposta: De jeito nenhum. A profissão de jornalista é eminentemente intelectual (leia-se orgânico). Uma das funções do intelectual é criticar os dados e interpretar os dados para o leitor (a função não é apresentar os fatos ao leitor, mas interpretá-los de acordo com o intelectual coletivo - note-se a contribuição de Frankfurt: crítica) O jornalista não é obrigado a dar a íntegra de uma entrevista. A função do jornalista não é de xerox, vocês não são porta-vozes mecânicos dos interesses vários que se digladiam na sociedade civil e no Estado. (Claro, são porta-vozes exclusivos do intelectual coletivo). O jornalista dá uma interpretação a mais próxima possível do espírito da coisa (leia-se: o espírito da coisa é o que manda o intelectual orgânico). Jornalista não e uma maquineta de reproduzir os interesses conflitantes (claro, não há conflito, não há polêmica). E neste caso bota interesses conflitantes nisso.

A entrevista, além de mostrar a abjeta submissão da imprensa ao representante máximo do intelectual coletivo, serve para exemplificar o que Gramsci queria.

Gramsci mantém a idéia marxista do sujeito conhecedor e pensante coletivo e faz uma distinção entre o intelectual "orgânico", aqueles conscientes de sua posição de classe - criado pela classe dos intelectuais, pelo partido-classe - e o intelectual "tradicional" - aquele que mantém sua autonomia e continuidade histórica. A organização da cultura é conseguida exatamente através da hegemonia dos intelectuais orgânicos - organizados, como órgãos de um único organismo, o Partido-classe, o "intelectual coletivo". Não me refiro aqui ao conceito tradicional de partido político. Um intelectual orgânico não necessariamente integra os quadros de um partido, mas sabe quais são seus interesses de classe e, por assim dizer, "toca de ouvido": não é preciso uma partitura para que conheça a "música" que lhe interessa; na dúvida, basta ouvir a música que seus pares estão tocando. Cabe a estes homogeneizar a classe que representam e levá-la à consciência de sua própria função histórica: transformar uma classe em-si numa classe para-si.

Esta atividade dos intelectuais, na prática necessita criar uma espécie de escola de dirigentes, um grupo de intelectuais "especialistas", que servem para orientar os demais quanto a seus interesses específicos de classe. Sempre que ocorre algum fato relevante a imprensa recorre logo a "especialistas". A proposta de revolução educacional - pedagogia crítica - de Gramsci sugere a criação de escolas profissionais especializadas, nas quais o destino do aluno e sua futura atividade serão predeterminados (UNICAMP, USP, UFRJ e a quase totalidade das universidades brasileiras), pessoas designadas pelo intelectual coletivo para dizer como os outros devem pensar a respeito do assunto. Quem ouse pensar diferente é severamente admoestado pelos "especialistas", obrigado a uma autocrítica e se reincidir, é posto no ostracismo e perde o apoio dos companheiros de viagem. Deve-se frisar que as palavras desses "especialistas" expressam sempre a opinião que deverá ser adotada em comum para os interesses exclusivos do Partido-Classe, do Intelectual Coletivo. Estes são os agentes transformadores da consciência e do senso comum, popularmente conhecidos como "formadores de opinião".

Ética tem em Gramsci um sentido totalmente diferente do que significa para as pessoas em geral acostumadas pelo senso comum com o "discurso moralístico burguês". Ético é tudo que serve para fazer avançar a tomada do poder pelo pensamento hegemônico quando atinge o estado de consenso: em que todos concordam em aceitar sua ideologia de classe. (*)

Eis o Sr. Romano!

(*) Os três últimos parágrafos foram retirados do Capítulo III do livro O Eixo do Mal Latino-Americano e a Nova Ordem Mundial, É Realizações, 2008.

Domingo

O cantor que a esquerda sepultou vivo

Um documentário narra a polêmica trajetória de Wilson Simonal, o ídolo de massas que teve a carreira destruída depois que os patrulheiros lhe colaram a pecha – injusta – de informante da ditadura

Sérgio Martins


Seu nome ainda hoje está envolto em boatos fantasiosos. Claudio Manoel lembra o absurdo que ouviu de um empresário a quem pediu patrocínio para o filme. "Ele me perguntou por que eu queria fazer um documentário sobre o cara que torturou Caetano Veloso", disse Manoel a VEJA. (Caetano, a propósito, nunca foi torturado.)

Wilson Simonal de Castro foi um dos maiores ídolos de massa que o Brasil já teve. Nos anos 60, só Roberto Carlos competia com ele em popularidade. Simonal popularizou bordões como "alegria, alegria" (que Caetano Veloso reaproveitou como título de música) e "vou deixar cair". Seus shows eram celebrações, com a participação entusiasmada dos espectadores – ele chegou a "reger" um público de 30.000 pessoas no Maracanãzinho, no Rio.

A partir de 1971, porém, Simonal foi condenado a um degredo artístico: não era mais convidado para programas de televisão, não conseguia mais gravar discos nem se apresentar ao vivo. Outros músicos recusavam-se a dividir o palco com ele. Em pleno governo Médici, período de intensa polarização ideológica, o cantor ganhou a fama infausta de colaborador do Dops, a polícia política da ditadura.

A história da ascensão fulgurante e da queda espetacular de Simonal é esmiuçada no documentário Ninguém Sabe o Duro que Dei (Brasil, 2007), em cartaz nos cinemas desde sexta-feira. Dirigido por Claudio Manoel (do Casseta & Planeta), Micael Langer e Calvito Leal, o filme também reavalia a importância artística do cantor: para além de seus supostos equívocos políticos, Simonal dominava o palco como poucos já o fizeram no Brasil.

Filho de empregada doméstica que abandonou a carreira militar – era cabo do Exército – para se tornar cantor, Simonal começou como intérprete de bossa nova. Adicionou um suingue inédito ao gênero no disco A Nova Dimensão do Samba, de 1964. A consagração popular chegou com a chamada "pilantragem", rótulo inventado por ele e seu mentor Carlos Imperial para designar suas músicas dançantes e malandras – como o grande sucesso Meu Limão, Meu Limoeiro, canção de domínio público que Simonal transformou em sua marca registrada. O cantor ficou rico e assinou contrato de publicidade com a Shell.


O filme dá amplas mostras de seu talento – como o maravilhoso dueto com Sarah Vaughan, uma das grandes damas do jazz americano. A derrocada veio com um episódio vergonhoso: em 1971, desconfiado de que fora roubado pelo contador Raphael Viviani, Simonal solicitou ajuda a dois seguranças, um deles agente do Dops, o famigerado órgão de repressão da ditadura, para resolver o caso. Viviani foi raptado, torturado e obrigado a assinar um documento no qual confessava ter desfalcado o cantor. A mulher do contador deu queixa à polícia. Simonal foi chamado a depor e tentou se esquivar das acusações da pior maneira possível: gabou-se de suas pretensas conexões com a ditadura.


Entre os depoimentos mais fortes do filme, está o de Viviani. Em sua primeira entrevista sobre o caso, o contador relata como teria sido torturado pelos gorilas do Dops, a mando de Simonal. O episódio é estarrecedor, mas não foi isso que determinou o ostracismo de Simonal. Nunca comprovada, a acusação de que ele seria um informante das forças da repressão pode ter nascido de suas bravatas, mas foi incendiada pela sede de justiçamento moral da esquerda de então.

Embora nunca se tenha sabido de um só preso político denunciado por Simonal, a pecha de dedo-duro colou-se ao cantor. Foi muito repisada pelo jornal alternativo O Pasquim. Isolado, deprimido, Simonal acabou se entregando ao alcoolismo. Morreu de problemas no fígado, aos 61 anos, em 2000. Seu nome ainda hoje está envolto em boatos fantasiosos. Claudio Manoel lembra o absurdo que ouviu de um empresário a quem pediu patrocínio para o filme. "Ele me perguntou por que eu queria fazer um documentário sobre o cara que torturou Caetano Veloso", disse Manoel a VEJA. (Caetano, a propósito, nunca foi torturado.)

O Brasil de hoje conhece muitos patrulheiros da correção política, mas, assim como não se concebe mais a censura às artes e à imprensa, não existe mais clima para tamanho linchamento político. Foi a atmosfera de radicalização ideológica da ditadura que permitiu o enterro em vida imposto a Simonal. Mas isso só não explica inteiramente o caso. Outros artistas e intelectuais, como Nelson Rodrigues e Gilberto Freyre, apoiaram publicamente a ditadura. Foram atacados por isso, com toda a razão, mas não silenciados como Simonal foi.

Negro de origem pobre, ele gostava de ostentar sua riqueza, com roupas extravagantes e carros de luxo – e ainda tinha o desplante de namorar mulheres brancas. Um certo componente de preconceito social e racial contribuiu para a desgraça do cantor. E é por isso que, em retrospecto, ganha um sabor tão amargo a imagem, recuperada pelo filme, em que Simonal finge ouvir de seu anjo da guarda o seguinte alerta: "Simona, ou você vai ser alguém na vida, ou vai morrer crioulo mesmo".

Sábado

O discurso do ódio perdeu

Por André Petry:

Elie Wiesel tem 80 anos, 58 quilos e 1,73 metro de altura. É franzino. Diz estar cansado e sentir o peso da idade. Quando abre a boca, é um gigante que fala. Sobreviveu à prisão em dois campos de concentração nazistas. Perdeu a mãe e a irmã em Auschwitz. Viu o pai morrer em Buchenwald. Decidiu que sua missão seria não deixar morrer a verdade sobre o holocausto dos judeus. Escreveu cinquenta livros, tornou-se um humanista, um porta-voz da tolerância, e ganhou o Nobel da Paz em 1986. Há pouco, estava em Genebra, protestando contra a presença do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, na conferência sobre racismo da ONU. Passou por Nova York, onde mora (e onde perdeu todas as suas economias de meio século de trabalho, cerca de 13 milhões de dólares, pelas mãos do maior golpista de Wall Street, Bernie Madoff), e em seguida foi a Paris para dar mais uma palestra. Viajou feliz ao saber que Ahmadinejad cancelara sua visita ao Brasil. Antes de embarcar, falou a VEJA.

O cancelamento da visita do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, é um bom sinal?
Sem dúvida. Seja qual for o motivo real do cancelamento da visita, é uma vitória da democracia e dos direitos humanos sobre o discurso do ódio. Ahmadinejad não merece visitar nenhuma sociedade civilizada, democrática. Como gesto político, o convite que o governo brasileiro lhe fez pode ter suas razões, mas é um grande erro do ponto de vista moral. Convidar alguém para ir a sua casa equivale a prestar-lhe uma homenagem, e Ahmadinejad simplesmente não merece ser homenageado.

Mesmo o Brasil mantendo relações diplomáticas regulares com o Irã e ele sendo o representante do povo iraniano?
Até no mais alto nível da política e das relações internacionais há limites. Ahmadinejad foi além dos limites. Ele não só nega o holocausto judeu. Ele já disse que quer destruir o estado de Israel. Essa mensagem não pode ser aceita em lugar nenhum.

A diplomacia brasileira diz que seria pior deixar Ahmadinejad isolado. Faz sentido?
Só para quem não aprendeu com a história. Antes da II Guerra, os países democráticos achavam que seria pior isolar Hitler e selaram o Acordo de Munique (tratado de 1938 no qual a França e a Inglaterra, junto com a Itália, entregaram um pedaço da então Checoslováquia à Alemanha de Hitler, na ilusão de que a concessão evitaria a guerra). Como se sabe, foi um desastre. Essa abordagem, tanto naquela época como hoje, é um desastre moral, político e estratégico. Não comparo ninguém a Hitler, mas Ahmadinejad não merece confiança, fé política, respeito. Fonte /
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Sexta-feira

Quem diria!

Mantega confirma estudo do governo Lula para reduzir rentabilidade da poupança

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou, na noite desta quinta-feira, que o governo vai mexer na rentabilidade da poupança, e deixou claro que será para baixo. Ele defendeu que as mudanças não vão afetar a segurança da aplicação, ou seja, ela continuará sendo totalmente garantida pelo governo, e que o pequeno poupador - que responde por 95% de todos os depósitos da aplicação - continuará tendo uma "boa rentabilidade". No entanto, ao ser questionado se essa rentabilidade seria a mesma de hoje -da Taxa Referencial (TR), hoje em cerca de 2% ao ano, mais juros de 6% anuais-, Mantega foi claro: - Certamente faremos uma mudança que preserva os interesses da grande maioria dos poupadores. Não há nada a temer. O mundo todo está vivendo com juros menores - afirmou o ministro, sem entrar em detalhes do que está sendo avaliado, como colocar um teto para as aplicações ou até mesmo tributar a caderneta para os grandes investidores.

Opinião do leitor: magdarg (17/04/2009 - 07h 49m) - Ele está certíssimo, não pode deixar a maioria dos pequenos poupadores terem uma rentabilidade maior, só os agiotas oficiais, como banqueiros etc. Não vejo o momento disso ocorrer, pois vou tirar o pouco que tenho da poupança e comprar euro no paralelo.

PT no governo afunda o país (3)


A politização do Banco do Brasil
Editorial Estadão

É um péssimo sinal a interferência direta e explícita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na gestão do Banco do Brasil (BB), especialmente quando a cúpula do governo se empenha de forma indisfarçável na campanha para a próxima eleição presidencial. O presidente da República não é a única pessoa preocupada com as elevadas taxas de juros cobradas no País. Consumidores e empresários gostariam de ter acesso a financiamentos muito mais baratos e diariamente protestam contra os juros excessivos. Nada, porém, justifica o abandono de critérios profissionais na administração do maior banco oficial do País - atualmente o segundo maior do sistema bancário nacional e um dos mais importantes do Hemisfério Sul. Politizar a condução do BB já o levou à beira de uma crise gravíssima, nos anos 90, e a operação de salvamento, com injeção de R$ 8 bilhões em seu capital, ainda é lembrada por todo brasileiro informado.

A subordinação aos objetivos políticos do governo também já custou caro à Petrobrás, forçada pelo presidente, no início do primeiro mandato, a recorrer a estaleiros nacionais para a compra de plataformas, navios-sonda e outros equipamentos. O resultado dessa mudança foi muito menos que satisfatório e isso não é segredo, embora a diretoria da Petrobrás evite referir-se ao problema. Também não deu certo, até agora, a associação com a PDVSA - estimulada pelo Palácio do Planalto - para a construção de uma refinaria em Pernambuco.

O presidente Lula e seus auxiliares insistem, no entanto, em sujeitar o aparelho de Estado - administração direta, autarquias e empresas - a objetivos de política partidária ou a caprichos ideológicos, sem dar importância a exigências técnicas. "A redução do spread bancário, neste momento, é uma obsessão minha", disse o presidente pouco antes de confirmada a mudança no BB.

Mas não tem sentido sujeitar um banco estatal ou qualquer outra empresa a uma obsessão - muito menos quando a obsessão original que gera a da baixa dos juros é a permanência no poder. Os juros poderiam ser mais baixos no Brasil, sem dúvida, mas não se pode reduzi-los por um simples ato de vontade. É preciso encontrar os meios técnicos para produzir a mudança. Por isso mesmo não tem sentido incluir a redução dos juros no contrato de gestão imposto pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao novo presidente do banco, Aldemir Bendine.

A candidata do presidente Lula à sua sucessão, a ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, também tratou da questão em termos emocionais, segundo sindicalistas participantes de uma reunião com ela e com o presidente. "Nós não aguentamos mais ter de discutir com os presidentes dos bancos públicos, que estão pensando que são presidentes de bancos privados. O banco público", teria dito a ministra, "não tem de se comportar como banco privado, não pode ter lucro real de 20% a 30% ao ano, porque, senão, perde a razão de existir."

Há, nesses comentários, pelo menos dois enganos graves. O BB não é um banco público, mas uma empresa de economia mista, com milhares de acionistas privados. Muitos deles aplicam dinheiro no banco por meio de fundos de pensão. Dependem do lucro, portanto, para a aposentadoria. Mas, se não dependessem, também teriam o direito de cobrar a maior rentabilidade possível para seu capital.

Em segundo lugar, o BB não se comporta exatamente como entidade privada. É o maior financiador da agricultura brasileira e um importante executor de outras políticas oficiais. Quanto à Caixa - esta sim, controlada inteiramente pelo Tesouro -, também se distingue dos bancos privados por sua atuação como executora da política habitacional. De resto, as duas instituições vinham operando com taxas elevadas, mas inferiores às cobradas pela maior parte dos grandes bancos privados.

A ação do presidente Lula despertou receios muito justificados de uma crescente politização, a partir de agora, da gestão das companhias estatais. Mas também houve, é justo reconhecer, manifestações de apoio. O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, aplaudiu a decisão e recomendou "uma limpeza de todos os presidentes e diretores que acham que os bancos públicos são deles". Citou, como hipótese, o nome da presidente da Caixa Econômica Federal. Mas absteve-se de mencionar o BNDES.

BB do PT
Editorial da Folha

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva diz que a redução do "spread" bancário -a margem entre o custo de captar o dinheiro e a taxa cobrada ao cliente no empréstimo- se tornou "obsessão" pessoal. A ministra Dilma Rousseff também avisou que o governo "não aguenta mais" pedir a redução dos juros.
A preocupação com o destino econômico do país era tamanha nas altas esferas da administração federal que a solução encontrada não poderia ser outra: aparelhar ainda mais o Banco do Brasil. O PT foi convocado para mais uma missão patriótica...
A nova anedota palaciana, disseminada na praça para tentar justificar a troca de comando no BB, não combina com alguns fatos. No período de impacto da turbulência global, o Banco do Brasil foi a instituição que mais reduziu as taxas de juros nos empréstimos pessoais. A taxa mensal, que era de 5,99% em agosto -no pré-crise, portanto-, foi 23% menor no mês passado.
O conjunto de bancos federais seguiu a linha do obcecado presidente da República e liderou, no período, a redução nas taxas de juros e o aumento na concessão de crédito. Esta expansão, aliás, elevou a participação dos bancos públicos no total dos empréstimos concedidos e evitou um tombo no crédito nacional.
O problema é que a teoria da "indução" -segundo a qual os bancos privados, temerosos de perder fatias do mercado, logo iriam aderir à expansão do crédito empreendida pelos públicos- ainda não funcionou. Não funcionou, pelo menos, do modo como seus propagandistas oficiais alardeavam: pois é razoável cogitar que a reação dos bancos privados à crise teria sido mais violenta, no sentido de restringir empréstimos e elevar taxas, não fosse a ação "contracíclica" das instituições públicas.
Seja como for, aumentar a tutela do governo e do PT sobre a direção do Banco do Brasil não vai resolver esse problema -resolverá outros, decerto, atinentes às eleições que se aproximam. Há limites para a ação antirrecessiva dos bancos públicos, e o principal é a responsabilidade fiscal: aventuras nessa seara redundam em contas bilionárias, divididas entre os contribuintes.
Acostumada a colher apenas os louros da bonança, a administração Lula evita assuntos espinhosos que poderiam diminuir o custo absurdo do dinheiro no Brasil. Faz espalhafato com o BB, mas dribla, por exemplo, a necessidade de modernizar o sistema de poupanças obrigatórias e tabeladas. Fundo de Garantia, Fundo de Amparo ao Trabalhador e caderneta de poupança são arcaísmos que direcionam, por força de lei, recursos que pertencem aos cidadãos. Estabelecem pisos artificiais para os juros de mercado, dificultando quedas maiores nas taxas.
A crise chegou ao Brasil há mais de seis meses, sob a forma de um torpedo no crédito, mas até hoje o governo não conseguiu formular um plano ambicioso para livrar o mercado de suas notórias amarras institucionais, concorrenciais e tributárias. Nem mesmo o chamado cadastro positivo -que possibilitaria a oferta de juros mais baixos para bons pagadores- foi aprovado no Congresso.

foto:oglobo.arquivo